sexta-feira, 20 de Março de 2009

Ailleurs

La fora, a noticia do dia (para mim) é a chegada do Papa a Angola. E eu pergunto-me: para quê? 

sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Há dias que me sinto absolutamente frustrada. Tenho um oceano de ideias na cabeça, de coisas que eu gostava de fazer, de oportunidades de negócio... mas falta, como sempre, dinheiro para investir.
Que treta! Isso deixa-me aborrecida, aliás, furiosa mesmo.
Afinal, quem não deseja fazer o que gosta né?! Mas até agora a coisa não tem corrido bem.

Qual é o problema agora?

A mudança assusta sempre. Quando estamos acomodados a uma situação, mal sentimos um ventinho a anunciar algo de novo trememos nas bases.
Parece que é isso que está a acontecer com os professores. Numa primeira fase talvez existissem pontos que tornassem esta avaliação num processo injusto e excessivamente burocrático. Mas agora que se simplificaram os formulários (embora continue a ser um processo burocrático), se retirou por algum tempo o critério do insucesso escolar da avaliação e se assegurou que os professores que o desejarem serão avaliados por pessoas da mesma área, qual é o problema?
O problema somos nós, em geral, que talvez tenhamos medo de avaliações (como os alunos temem chumbar nos testes), que provavelmente somos incapazes de avaliar friamente sem colocar à mistura a nossa opinião pessoal sobre a pessoa que estamos a avaliar e que tememos perder regalias.
É natural não querer deixar uma posição confortável, e não querer perder regalias, mas como aluna que frequentou o sistema até ao mestrado a única conclusão que tiro é que o sistema de ensino era muito fraco. Chegámos mal preparados à universidade, os ritmos entre o ensino obrigatório e o restante eram completamente diferentes e os professores, muitas vezes, pouca vocação tinham para o emprego. Recordo-me um professor de fisico-química que era farmacêutico e como não arranjou emprego foi dar aulas. Péssimo professor, sem qualquer aptidão pedagógica e que ditou o ódio de quase toda a minha turma à matéria desde o primeiro instante.
Estas situações não se podem repetir e há que mudar... Mas com tanta resistência e com o PS sem vontade de perder votos temo que se volte a ceder nesta matéria e que continuemos a ser um país que não consegue competir com a restante União Europeia em termos de formação.

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Tal e qual a vida de todos os dias, onde nunca se sabe o que virá amanhã e se o hoje foi certo e se tomamos as decisões certas... Como seria ter outra vida? Como seria escolher outro caminho?

terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Querem tramar o zé portuga

O camionista português que chocou contra o carro de uma família inglesa, provocando a morte dos seis ocupantes, continua detido. Hoje o juiz inglês decidiu que ele não teria fiança e mesmo com residência fixa em Inglaterra não poderia aguardar julgamento em liberdade.
O mesmo juiz obrigou o camionista a continuar a ser representado (se bem que não percebi se é só por agora ou até ao fim do processo) por um advogado oficioso, apesar da firma de camionagem para onde trabalha já ter enviado advogados próprios para o defender.
Este juiz ainda decidiu que a sentença será dada já em Fevereiro, quando estes processos costumam demorar cerca de um ano (será que é para não haver tempo para construir uma defesa).
Ainda não percebi qual foi a causa do acidente (se foi álcool acho bem que esteja preso, mas é que parece que foi o mau tempo...), mas o que é facto é que o homem teve o azar do carro em que embateu ter-se incendiado e os seus ocupantes terem morrido.
Houve logo homenagens e o camionista português já foi condenado, pelo menos em praça pública.
É triste a família ter morrido, mas também é triste a justiça inglesa estar a ser absolutamente cruel e parcimoniosa... Quando foi o casal McCann a ser constituído arguido caiu o carmo e a trindade, ao ponto de agora quererem tramar Gonçalo Amaral, o inspector responsável pelo caso.
Parece-me que além do Gonçalo, também vão tramar o camionista... Para mim isto é escandaloso, se bem que a polícia portuguesa devia aprender a averiguar melhor os acidentes... Ainda não engoli o facto do "assassino" do meu avô o ter atropelado em estado total de embriaguês e não ter sido castigado porque a polícia nem se deu ao trabalho de ir atrás dele.
Enfim, o mundo não é mesmo nada justo e cá me cheira que o senhor que está preso na Inglaterra tem de se preparar para ficar lá mais uns aninhos.

Brilhante...especialmente a parte com o Angélico

Se não quiserem ver tudo avancem até aos 4 minutos. A imitação do Angélico está um show LOLOL

O sonho americano

Uma grande reportagem da SIC que fala sobre o sonho americano. Depois de ver fiquei a pensar que sonho é esse? Há muito que a América deixou de ser a terra de todas as oportunidades... É só mais um país...

Eleições americanas

Além de ter dito que tinha vergonha de falar de política sendo italiano (ou seja, sendo de um país que elegeu duas vezes o Berlusconi para a presidência), Ronaldo Bonacchi, actor italiano radicado em Portugal, disse sobre as eleições americanas "Temos que mudar tudo para que tudo fique na mesma".
Apesar de simpatizar com Obama ele tem razão numa coisa: tanto ele como McCain são americanos e isso diz tudo...

RIP

Quem não se lembra do Badarosissímo ou do quiduxo Chinesinho Limpopó... Mais um grande comediante que já foi!

terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Fraudes e pontapés na gramática

Hoje fui fazer uns movimentos no site do meu banco e apareceram uns avisos por causa das fraudes.
A Caixa Agrícola chamava a atenção para o Phishing e Pharming e mostrava algumas páginas fraudulentas onde, para além do código de acesso e da chave multicanal, era pedida ainda a password da conta. Realmente as páginas fraudulentas são iguaizinhas às do site do CA online, mas há uma coisa que nunca muda, a qualidade do português dos "fraudadores".
Ora espreitem este exemplo (cliquem na imagem para aumentar). LOLOLOL
É caso para dizer: senhores "fraudadores", tirem um curso de português!!!

sábado, 18 de Outubro de 2008

São Dias que passam...

Aprendi esta música nas guias e já não me lembrava da letra que é muito catita... Hoje encontrei-a num site :D


São dias que passam
São horas que vão
São lábios que cantam
São mãos que se dão
E deixam saudades de não ser assim
Toda a vida, é a vida de agora.

É tempo, é tempo de aprender a ser
Sorrindo por dentro e sempre a crescer
Pisando caminhos, esquecendo talvez
O deserto de um homem sozinho sozinho.

Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É grande, é imenso
É tudo o que dou
E ao dá-lo recebo e fico maior
Do que sou quando me nego.

Criança era ontem, vivi e esqueci
A aposta da vida ganhei e perdi
O risco me trouxe até ao que sou
Nunca basta a vida que tive.

Questionário

(Retirado daqui... embora não seja muito adepta resolvi fazer porque este pos-me a pensar e há palavras que dizem muito sobre nós)

Um objecto: Máquina Fotográfica (para fotografar os outros)
Um mês: Dezembro (adoro o Natal)
Um nome: Maria
Um número: 7
Uma cor: Azul
Uma flor: Girassol
Um livro: Cisnes Selvagens
Um filme: Hotel Ruanda
Um pecado: Preguiça
Uma pedra: Esmeralda
Um animal: Cão
Um signo: Escorpião (claro!!!!)
Um lugar: Onde quer que eu esteja...(um amigo dizia: serei feliz onde estiver :D )
Uma palavra: Tonto
Um cheiro: Baunilha
Uma parte do corpo: Olhos
Um sentimento: Alegria
Um verbo: Rir
Uma estação: Outono
Um instrumento musical: Piano
Uma bebida: Vinho Tinto
Uma comida: Italiana
Um gosto: Viajar
Um dia da semana: Domingo (à tarde)
Uma árvore: Pinheiro
Um brinquedo: Legos
Uma peça de roupa: Calças de Ganga
Uma dúvida: o dia de amanhã
Uma frase feita: Quem tem telhados de vidro não atira pedras (vivo num sítio com muitas más linguas)
Um disco: Post Orgasmic Chill - Skunk Anansie (lembram-se deles? Ouvi o disco até se riscar...)
Uma música: Better Man - Pearl Jam
Uma divisão da casa: Sala
Um cosmético: Perfume
Um feriado: Natal
Uma nota musical: Sol
Uma profissão: Professora
Uma qualidade: Esforçada
Um defeito: Teimosa

quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Hoje fui fazer uma ecografia a um durão pequenino que me apareceu no pescoço... Para além do exame ter custado 80 euros ainda vou ter de fazer uma biópsia, que eu espero sinceramente que não dê em nada. É que se der vai ser tramado...muito tramado mesmo!

terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Até sempre!

Hoje foi o enterro da matriarca da minha família. Tinha 96 anos, seis filhas, oito netas, dez bisnetas e um bisneto, e uma trisneta.

Foi uma mulher dura ao longo de toda a vida (como a maioria das mães de família que trabalhavam de sol a sol no campo para arranjar comida para toda a gente), mas com a idade teve momentos de extrema ternura, quase como uma criança. Adorava bolos. Viu morrer o marido, alguns genros, uma filha...

Na minha família, de facto, as mulheres tendem a superar os homens, pelo menos em número. Somos 25 raparigas e apenas um rapaz, todos descendentes da Maria Adelaide da Natividade Gertrudes (ou Maria Gertrudes da Natividade Adelaide...é que o registo civil nunca soube bem qual era o nome da minha "bisa" e ela acabou por ter um nome diferente no BI de cada uma das filhas). Muitos homens da família foram morrendo e ela foi ficando.

Hoje foi a vez dela, no mesmo dia que o marido morreu, há três décadas atrás.

Um beijonho avó... Até sempre!


sábado, 27 de Setembro de 2008

Quercus - Aquecimento Global

Vi este anúncio pela primeira vez hoje. Pode ser que choque quem teima em não reciclar, em deitar lixo para o chão e em não reduzir o recurso ao carrinho!

quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

LOLOL

"A atracção acontece a qualquer hora, e quando acontece não há lugar para a caspa. (...) Qual é o segredo da atracção? A tecnologia Linic".

Portanto, podemos ser altos, baixos, feios, bonitos, magros ou gordos... Podemos cheirar mal da boca e dos pés, podemos ser vesgos e ter os dentes tortos. O importante é usar Linic e não ter caspa.

Há anúncios mesmo parvos!!!!

sábado, 20 de Setembro de 2008

Hipocrisias

Acabei de assistir ao programa do Provedor da RTP sobre a Liga dos Últimos. Alguns hipócritas da cidade diziam que era uma vergonha mostrar aquelas figuras típicas das terras e dos jogos das distritais na televisão.
Ah e tal não é bonito de ver, não se devia mostrar o lado negativo do país real, não se deve promover aquelas imagens pouco pedagógicas (tudo palavras dos defensores dos bons costumes).
Eu convivo com cromos da liga dos últimos quase diariamente. Na minha terra há muitas figuras típicas que têm perfeita consciência que são "específicos" e mesmo assim insistem em ser... "específicos".
Umas vezes a malta ri-se deles, outras vezes ri-se COM eles. E é isso que os cromos das grandes cidades que acreditam que esconder estas pessoas é preservar-lhes a dignidade não compreendem. Estas pessoas existem, muitas vezes têm orgulho de ser assim castiças, quase como as peixeiras do Bolhão (talvez devessemos escondê-las também), gostam de gritar pelos seus clubes, aparecer na televisão e até de servirem para animar os outros.
Ainda ninguém processou a RTP por isso e é esta, de facto, a realidade da província onde o álcool e o futebol são reis. Ainda existe muito analfabetismo e ignorância por Portugal fora e quem não gosta de ver aquilo na tv não é porque quer preservar os "cromos", é porque prefere acreditar que aquele país não existe.
Hipocrisias à parte gosto da Liga dos Últimos. Ver aquilo lembra-me a minha terra :D Gostei de ver o programa sobre o Ferreriras (em Albufeira) e espero que um dia venham aqui fazer uma reportagem sobre a equipa do Clube Recreativo 1.º de Janeiro.

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Aspirações

Hoje rumo à capital do império para me matricular no segundo ano do mestrado. Este curso no renomado ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) tem sido uma aventura.
Ninguém nos serviços sabe explicar nada, os professores e as aulas foram, na sua maioria, decepcionantes.
Ainda me queixava da minha velha UALG...
Só gostava que este esforço valesse a pena, que depois da tese feita eu arranjasse um trabalho que me preenchesse as medidas.
Estava à espera de uma resposta a uma candidatura que fiz para a área da comunicação numa ONG, mas até agora nada... Não devo ter sorte nenhuma, mas isso é que era uma coisa catita...se era!
É um facto que nunca parecemos estar totalmente satisfeitos na vida, mas eu não queria que todos os meus objectivos e sonhos saissem frustrados. Custa-me pensar que começo a habituar-me a esta vidinha que tenho levado que se resume a ajudar no negócio da família e a dar umas voltinhas por ai. Eu sou (era) mais ambiciosa do que isso.
A viagem a Angola e o trabalho de voluntariado foram gratificantes, mas só durou um mês... O que virá a seguir?

terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Mamma Mia!

Fui ver o Mamma Mia! esta noite. O filme está brilhante. A Meryll Streep e o Pierce Brosnan estão no auge e o filme é divertidissímo.
Tem o lado romântico, o do amor não correspondido, o do amor incondicional e eterno de pais e filhos, de homem e mulher, tem curvas na história, obstáculos que Deus ou o Destino colocaram no caminho, tem música... Tem tudo o que tem a vida, até um final feliz!
Mesmo num filme com banda sonora dos ABBA a vida não é um caminho a direito. Pode ser divertida, dolorosa, partilhada, com finais mais ou menos felizes...Não sei, e hoje nem quero saber! Às vezes penso muito à frente...hoje não.

Vou dormir, com esta música na cabeça cantada pela Donna e as Dynamos ;)


Dancing Queen
You can dance, you can jive
having the time of your life
see that girl, watch that scene
dig in the Dancing Queen

Friday night and the lights are low l
ooking out for the place to go
where they play the right music
getting in the swing
you come to look for a king

Anybody could be that guy
night is young and the music’s high
with a bit of rock music everything is fine
you’re in the mood for a dance
and when you get the chance
You are the Dancing Queen
young and sweet
only seventeen
Dancing Queen
feel the beat from the tambourine,
oh yeah you can dance, you can jive
having the time of your life
see that girl, watch that scene
dig in the Dancing Queen

You’re a teaser, you turn ’em on leave ’em burning
and then you’re gone looking out for another
anyone will do
you’re in the mood for a dance
and when you get the chance
You are the Dancing Queen
young and sweet
only seventeen
Dancing Queen
feel the beat from the tambourine,
oh yeah you can dance, you can jive
having the time of your life
see that girl, watch that scene
dig in the Dancing Queen

domingo, 14 de Setembro de 2008

Okusumuluha*

«O poeta (…) inspirado pelo poente, reflecte sobre a constatação de que a guerra pela independência tornou-se igualmente crepuscular para Angola porque, apesar de livrar o país da opressão colonial, os ideais revolucionários, infelizmente, não resultaram para o país tal como haviam sido engendrados. Pior, (…) muitos daqueles que lutaram por essa transformação são, naquele momento, agentes do mesmo tipo de opressão contra a qual tanto lutaram... (…) O homem pensa se, de facto, valera a pena todo o sacrifício daqueles anos (…). Sente-se feliz, no entanto, por viver hoje períodos de paz após tantos anos de guerra colonial e civil. Afinal, foi necessário passar por elas para saber realmente o que significa a paz.»

Pepetela


Com destino ao Chinguar, situado no planalto central de Angola (uma zona bastante martirizada pela guerra), 16 jovens oriundos de norte a sul de Portugal, acompanhados pelo P. Tony Neves, voltaram a partir em missão durante o mês de Agosto desta vez com o lema “Saúde e educação em tempo de paz”. Nem todos eram estreantes em projectos Ponte, mas Angola foi novidade para todo o grupo.
Ao longo deste mês, e depois do contacto com o povo, fui invadida por uma sensação de alegria e de esperança. Em todos os locais por onde passámos fomos recebidos em ambiente de festa, com cânticos e dança. O povo é incansável… e generoso. Dispensam-nos atenção, sorrisos e géneros.
Como escreve Pepetela, a realidade deste país e a sua história das últimas décadas deixam «um gosto amargo» mas, por outro lado, é difícil ficar indiferente ao clima de paz e mesmo de confiança que se vive agora.
Sem tiros, tanques e minas a vida regressa lentamente à normalidade e o povo já pode trabalhar, estudar, reconstruir as suas casas e planear o futuro. A paz é encarada com outra disposição, é valorizada de uma forma que quem nunca viveu a guerra talvez não consiga compreender.
Apesar do descontentamento e da desconfiança de alguns em relação às eleições que se realizaram no passado dia 5 de Setembro (com uma vitória esmagadora do MPLA, o partido do actual presidente José Eduardo dos Santos, com mais de 80% dos votos), e de muitos outros problemas que ainda assolam o país foram muitos os jovens com quem convivemos que mostram uma vontade imensa de trabalhar por uma Angola melhor.
Nos primeiros dias, passados em Luanda, tivemos a oportunidade de visitar as várias comunidades da paróquia de São Pedro do Prenda, em pleno musseque. Estimativas de 2004 da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam para uma população de 4,5 milhões de habitantes residentes na cidade, a maioria das quais concentrada justamente nestes bairros.
A guerra levou muitos a fugirem para a capital e a construção acabou por crescer de forma desordenada. Com ruas estreitas, a paisagem dos musseques que cercam Luanda é marcada pelo pó, pelo lixo e pelos esgotos a céu aberto. A população dificilmente tem acesso a bens essenciais como a água potável (um produto que em Angola é mais caro que os refrigerantes) mas, mais uma vez, o clima de empenhamento e esperança num futuro melhor é notório. A comunidade está organizada, pelo menos a nível pastoral, e muitos jovens falam com entusiasmo dos cursos que frequentam e das profissões que querem seguir.
Ao longo do mês trabalhámos com crianças e jovens a quem demos aulas de português, matemática, educação moral, noções básicas de saúde, direitos humanos, educação cívica e ambiental, teatro e música. Nas últimas três décadas a grande maioria da população não frequentou a escola e há ainda muitas lacunas no sistema educativo.
Também passámos por várias missões – Vale do Queve, Kuando, Bailundo (onde foi assassinado já em período pós-guerra o padre espiritano Afonso Moreira), missão protestante do Donde (embora só de passagem), onde foi possível constatar a violência da guerra que assolou o país. Se o conflito continuasse pouco mais haveria para destruir.
Na memória trago a alegria, a disponibilidade e a fé do povo, mas também as palavras do Eugénio, um finalista de Teologia do seminário do Huambo, que disse: «De nada vale recuperarmos apenas edifícios e estruturas. Se não curarmos os corações dilacerados pela guerra acredito que a nossa paz não será duradoura».
Voltamos com a esperança de que a democracia e a paz vençam e que o povo consiga ser feliz.

*Ser feliz

domingo, 8 de Junho de 2008

Dualidades

Vivo constantemente na dúvida. Sinto-me quase com uma dupla personalidade que me quer empurrar para longe da minha vidinha calma no meio do monte e, ao mesmo tempo, quer manter-me aqui, no sítio de sempre, junto das pessoas de sempre.
Quero partir mas quero ficar. Quero ficar em minha casa com a minha família ao mesmo tempo que sinto ganas de ter o meu canto.
Quero ser independente ao mesmo tempo que sonho ser totalmente dependente de alguém que vai tomar conta de mim e querer-me e amar-me e proteger-me para sempre.
Já cresci e quero crescer mais, ter filhos, ser responsável. Mas também quero ficar como estou, no regaço da minha mãe e ter a certeza que nada vai mudar, que ela vai estar sempre aqui, sempre perto, sempre viva, sempre mãe.
Quero ir para longe e quero ficar perto.
Quero, quero, quero... e de que serve querer? Nunca nada é como se quer...pode ser mais ou menos mas não é COMO se quer.
Espero que se cumpra o destino mas quero crer que sou eu que o faço cumprir!

sábado, 7 de Junho de 2008

Dívida

Estou a dever um jantar especial à minha melhor cara metade. Aceitam-se sugestões. E atenção que o homem é cozinheiro, com um paladar difícil de contentar... Não é fácil!

sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Amu.te

Assim se declarou alguém em letras garrafais espalhadas ao longo das paredes exteriores da biblioteca. Uma verdadeira obra de arte num português "fabulástico".

Recorda-me os meus tempos de adolescente recatada. Nunca fui grande maluca (ainda hoje não sou) nem tive direito a declarações de amor em paredes de bibliotecas. De qualquer forma fico sempre a pensar na facilidade com que os adolescentes usam a palavra (esteja ela bem ou mal escrita). Hoje amam, amanhã já nem tanto. Alguns coleccionam namoros e affaires e escrevem amu.te nas paredes, nos bancos de autocarros e nas casas de banho.

Esta coisa das casas de banho sempre me intrigou, porque afinal nenhum rapaz ia ler o que estava escrito nas portas dos WC femininos. Depois percebi: o objectivo é que todas as miúdas percebessem que eu amava fulano de tal.

Olhando para trás acho algumas coisas um bocado ridículas, mas confesso que tenho saudades da emoção de ver o "amor (não correspondido) da minha vida" a passar-me ao lado nos intervalos das aulas, dos suspiros e da sensação que podia "morrer de amor" a qualquer momento.

Mesmo sem amu.te nenhum escrito na parede para mim a adolescência teve a sua piada. É que a partir de uma certa idade os suspiros e arroubos românticos já são menos aceitáveis e percebemos que se morre de um monte de coisas, mas não de amor (felizmente). Esse não é território para adultos. Afinal não é suposto darmos parte de fracos quando crescemos certo?


quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Sex and the city

Este deve ser o terceiro blogue que eu começo. Não me identifiquei com o anterior, começo um novo. Não posso mudar de casa, não posso mudar o meu look então mudo de blogue como quem procura uma nova personalidade, uma nova forma de estar na vida, uma outra maneira de comunicar.
Falando de procurar uma nova forma de estar, não me importava nada que pudesse transformar-me numa Carrie Bradshaw à portuguesa. Deparo-me desde logo com a dificuldade de me sentir em Nova Iorque no Algarve. Nem mesmo Lisboa poderia sequer assemelhar-se a NYC.
Acabada de sair do filme e fanzérrima da série sinto sempre uma ponta de inveja: de morar em NYC, de ter milhentos pares de sapatos, de andar na maluquice com mais três amigas e divertir-me às paletes, e de escrever. Ser jornalista (ainda que da Vogue) ou mesmo cronista (quase cor-de-rosa) em Nova Iorque... que sonho!
Mas não se pode ter tudo e até aos 40 pode ser que ganhe o euromilhões e acabe com uma penthouse na 5th Avenue.
A hora vai avançada pelo que aqui a Carrie Bradshaw wanna be vai deitar-se e sonhar com NYC, pseudo princípes encantados, sapatos Prada e finais felizes. Enfim, chamem-me fútil. Por hoje eu deixo!